Postagens populares

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CENA DO CRIME......contos

Madrugada na periferia da cidade, o silencio naquelas ruas desertas e mal iluminadas é quebrado com os estampidos de dois tiros e um grito abafado. Depois o barulho do automóvel saindo em disparada e novamente o silencio se faz presente. Pouco tempo depois numa casinha das redondezas o silencio se quebra novamente, mas desta vez é apenas responsabilidade de um despertador em plena atividade. São cinco horas da manhã, chegou o momento crucial para Gildo. O dever o chama, não tem mais como ficar na cama. Resmungando ele se levanta e se prepara para sair. Lava o rosto escova os dentes depois de tomar um gole de café tirado da garrafa térmica e sai apressado. Esta escuro ainda e a rua continua deserta. Ele não se distancia nem duzentos metros do seu portão quando se depara com a cena. Em frente ao terreno baldio ali existente ele se defronta com um corpo estendido no chão. O cadáver estava de bruços, não dava para ver direito o rosto do mesmo devido á pouca claridade do momento. Mesmo curioso resolveu não mexer na vitima, pois de repente poderia deixar suas impressões no local do crime e tudo o que ele não precisava agora era arrumar confusão para si próprio, coisa, aliás, que já tinha de monte. Como cidadão do bem era sua obrigação avisar às autoridades competentes, mas isso sem se envolver na história. Alem do mais seu patrão é um sujeito grosso mal educado, ignorante mesmo e não ia ver com bons olhos sua ausência no trabalho caso ele faltasse ás suas atividades por causa deste fato. Ele estaria correndo o risco de ser demitido por uma causa que não era sua, Atolado em dividas como estava isto não poderia acontecer agora, mas da maneira nenhuma. Tirou então o celular pré- pago (coisa comum nos dias de hoje) do bolso disposto a chamar a policia, mas antes sem motivo qualquer resolveu filmar a cena do crime. Assim o fez, depois ligou para a policia relatando o crime e a localidade onde o mesmo ocorreu e saiu em direção ao trabalho. Seu dia transcorreu da melhor maneira possível, tudo calmo tudo tranqüilo. Também pudera mesmo com a ausência do Zé da Vilma que não veio trabalhar ele deu conta de tudo, não deixou nem um rabo para trás, fez o seu e de lambuja fez o dele. O único fato a estranhar foi à ausência do colega já que este tinha uma paixão cega pelo serviço. Na volta para casa parou no boteco da esquina para limpar a garganta como costumava dizer. Foi limpando a garganta que se interessou na conversa que rolava entre dois homens bem a seu lado. O tema era o defunto que foi executado ali perto durante a madrugada. Você viu que maldade dizia o primeiro, alem de sapecar dois tiros no pobre ainda caparam o coitado, arrancaram os bagos do dito cujo. Ao ouvir esta parte do assunto ele interferiu no papo indagando.. Os senhores me desculpem a intromissão, mas eu ouvi direito o que falavam sobre o defunto? O segundo tomou a palavra e respondeu.. Ouviu sim senhor, acharam o camarada caído de barriga para cima, com a calças arriada e com as partes baixas arrancadas. Parece que usaram uma faca bem afiada para fazer o serviço. Depois deixaram jogado na poça de sangue do lado do corpo. Como que é? Tem certeza disto que esta me relatando, falou ela mais surpreso do que curioso. Tenho sim moço, eu mesmo vi o corpo do coitado jogado na beira do terreno baldio aqui perto. Por um momento ele ficou confuso e pensou; será que estão falando do mesmo presunto que eu vi. Não pode ser eu filmei o corpo e tenho certeza que estava de bruços. Mas resolveu guardar para si as duvidas e não comentou o fato com os demais. Apenas se despediu e foi embora. Chegou em casa com um turbilhão de idéias na cabeça. Logo ao entrar já se deparou com o bilhete deixado num ponto estratégico pela esposa com as seguintes palavras.. Gildo mataram o Elias, estou no velório. Vou passar a noite, se quiser tome seu banho jante e venha ter comigo aqui. Foi ai que sua mente entrou em parafuso mesmo. Elias era seu amigo de longa data, alem de que era compadre do Zé da Vilma. Pelo menos estava explicado por que o mesmo não fora trabalhar.. Mas o assassinato de Elias não tinha explicação para ele, afinal o sujeito sempre foi honesto, pelo menos ele não conhecia nada no pobre que pudesse ser tachado de ruim, o pequeno defeito que tinha era ser mulherengo, mas segundo ele essa fama era só da boca para fora. Afinal todo homem gosta de ser considerado assim. Ao chegar ao velório sua mente ainda procurava encaixar as peças do imenso quebra cabeças á sua frente. Só que tudo se confundiu mais ainda, pois sua esposa estava chorona e nervosa, talvez até mais que a viúva. Em meio à histeria ela se descabelava e pedia perdão ao defunto, um fato estranho para ele já que ela nunca aprovou que os dois andassem juntos. As coisa se complicaram mais ainda quando alguém chegou com a noticia de que a policia havia detido o assassino. Foi um espanto geral, pois a pessoa chegou falando alto para todos os presentes ouvirem.. Prenderam o animal que matou Elias, foi o Zé da Vilma, seu compadre. Mas por que se os dois não eram chegados? Perguntou alguém. Chifres é lógico. O finado andava com a Vilma. Para todos os presentes o caso estava resolvido com a prisão do matador, menos para ele. Afinal foi um dos primeiros a ver o cadáver, e não constava da sua visão os bagos do homem arrancados. Isso foi coisa de outra pessoa. Foi somente ai que sua mente voltou a funcionar e ele finalmente se lembrou do celular. Poxa eu filmei tudo com o celular pensou com seus botões. Passou o resto do tempo no velório numa boa, sem demonstrar para ninguém seus conflitos, suas desconfianças. Somente no outro dia resolveu colocar as coisas nos seus devidos lugares. Ao invés de ir trabalhar foi até a delegacia e narrou os fatos segundo seu parecer. De posse do celular o delegado extraiu o vídeo passando-o para o computador. O impropério que saiu de sua boca ao se desvendar o mistério tinha razão de ser. O vulto quase indecifrável que aparecia nas filmagens do celular se revelou. Tratava-se de Sonia sua esposa. Ele reconheceu pelo vestido, pois este fora seu presente de aniversario para ela. Não tinha como errar ele mandara fazer sob medida na sua vizinha costureira. Já na delegacia Sonia em seu depoimento esclareceu o mistério que pairava no ar. Também era amante de Elias o defunto e há dias estava em seu encalço, pois ficara sabendo que o mesmo estava andando com outra, mas não sabia com quem. Enquanto Gildo dormia seu sono de pedra ela saia para se encontrar com o amante naquele terreno ali perto de sua casa. Naquele dia fatal ela estava esperando por Elias no local do crime e viu quando ele foi abordado pelo criminoso. Ouviu as ameaças e os tiros escondida, mas reconheceu a voz de Zé da Vilma. Foi ai que soube que a nova amante do o presunto era Vilma. Esperou o carro sair e só então saiu de onde estava escondida, voltando para casa. Mas a raiva que estava sentindo era grande demais para ficar guardada, por isso quando Gildo saiu para o trabalho ela resolveu voltar à cena do crime munida de uma faca disposta a arrancar os bagos do rapaz e assim o fez. Ela só não contava com o fato de seu marido xereta querer filmar a cena do crime.

Nenhum comentário:

Postar um comentário